quarta-feira, 29 de junho de 2016

Ela estava com insônia

Ela estava deitada de barriga para cima, encarando o teto, ele ouviu sua respiração rápida e agoniada quando levantou para ir ao banheiro. Foi ao banheiro, olhou-se no espelho e decidiu ir vê-la.
-Não está conseguindo dormir?- disse abrindo a porta do quarto e a fazendo pular.
-Não...
-Posso invadir seu quarto?
-Claro... contanto que não acenda as luzes, porque não quero que me veja assim. -ela chegou mais para o lado da cama e ele se sentou ali. Lhe ofereceu cobertor e como estava frio, ele aceitou.-
-Não quer que eu a veja como?
-Da forma que eu estou. -Ela se sentou e encostou a cabeça na parede, respirou fundo e ficou em silêncio pelo que pareceu uma eternidade. Ele se sentou ao seu lado. - Eu estou doente, e são todas essas pílulas que mais parecem veneno... Elas me deixam assim acabada. Não quero que me veja no meu pior estado.
O quarto não era muito grande, o menor dos três quartos do apartamento onde moravam 5 jovens, melhores amigos que se conheceram no primeiro semestre da faculdade e desde vários acontecimentos acabaram morando todos debaixo do mesmo teto. No primeiro quarto dormiam dois garotos um cursava engenharia mecânica e o outro química, no segundo quarto dormiam um estudante de psicologia e um de Administração. No último quarto ela dormia sozinha, desde que seu namorado, um estudante de Engenharia Civil, decidiu ir embora sem dizer para onde há três meses.
-Está escuro o suficiente para que eu não veja nada além de vultos, não se preocupe. - pegou na mão dela- Eu queria poder te dizer que tudo isso vai passar... -levou sua mão ao lábio e beijou- Mas eu não posso te fazer acreditar em algo que eu simplesmente não sei.
-Tá tudo bem... -Ela disse e deu um sorriso- estudantes de engenharia mecânica não tendem a saber como lidar com pessoas... eu acho. - ele sorriu, por mais que ela não enxergasse direito naquele breu, pode sentir seu sorriso.-
-É... quer ajuda para dormir?
-Eu quero. - Ele a abraçou, fazendo-a recostar sua cabeça em seu peito.- Desde quando você ajuda "a pessoa chata da casa" a dormir?- disse se lembrando de quando foi morar com eles, uma casa só de garotos... que abrigaram ela numa noite chuvosa de maio quando  tinha sido despejada de seu dormitório.-
-Desde quando ela precisa.
Ele a apertou contra seu peito, e logo ela se levantou num pulo com as mãos aos lábios. Correu em direção a janela e abriu, deixando o vento gelado entrar em contato com a sua pele quente.
-Desculpa. Eu disse que não queria que me visse assim.
-Você... não precisa ter vergonha de mim. - ele se levantou e foi até a cozinha pegar um copo de água. Voltou e entregou nas mãos dela, que ainda estava na janela.
-Você bêbada é bem pior. - ambos riram.- Lembra da última vez? Aquele foi o pior PT com que eu já tive que lidar.
-Eu estava deprimida. - ela fechou a janela, colocou o copo sobre a cômoda é voltou para a cama, sentada ao lado dele.-
-E agora... como está?
-Eu estou. - voltou a se deitar no peito dele- Pensando. - e olhou para os olhos dele-
-Acho que isso é bom...
-Quero viajar.
-Ah... mais uma pessoa indo embora, não dá pra rachar o aluguel em 4, chata. -ele bagunçou o cabelo dela-
-Calma. Só nas férias. Eu quero ir para... Irlanda.
-O que vai fazer na Irlanda?
-Fugir. Eu tô cansada de todos os dias acordar, tomar aquele chá horrível e em seguida três comprimidos. Depois tomar café e mais dois comprimidos. Estudar, voltar para casa. Comer. Estudar. Remédios. Sentir falta de alguém que não tenho mais notícias... - ela solta o ar como se estivesse tudo preso em si.- Quero fugir dessa rotina infernal de infelicidade.
-Quantos dias?
-19. Amanhã quero ir na agência de viagens ver o preço direitinho.
-Se você for voltar, eu acho bom.-as mãos dele fazendo cafuné na cabeça dela a fazem se lembrar de alguns meses atrás...-
-Tem notícias dele?
-Não. -Ele para de acaricia-la - A última vez que falei com ele... Eu já te disse, ele estava na casa de uma tia no interior de Minas Gerais "Pensando".
-Idiota! -soltou sem querer- Não você... ele.
-Eu sei. Também acho. Agora vou te contar uma história de ninar.
  Era uma vez uma garotinha muito especial, mas que não sabia disso. Então nunca entendia porque as coisas aconteciam justo quando ela menos esperava.
-Cadê o final feliz?
-Você é uma péssima ouvinte de histórias senhorita chata.

  Ele contou história para ela, até que ela adormeceu, então deitou sua cabeça com cuidado no travesseiro macio, se levantou arrumou as cortinas. Voltou a olha-la dormindo. Passou a mão pelos seus cabelos, olhou seus olhos fechados se lembrando deles chorando algumas madrugadas na ponta esquerda do sofá, de frente para a sacada por sentir falta dele... do seu melhor amigo, namorado dela, que fugiu.
Beijou sua testa.
-Que o papai do céu abençoe seu sono, chata.
E saiu do quarto, deixando ali metade de seu coração, metade de si... e todo o seu sono. Voltou ao seu quarto, pegou seu notebook e começou a escrever mais uma canção sobre amores proibidos.

sábado, 18 de junho de 2016

Barbeiros Desconhecidos

Eu estava dirigindo, por uma avenida cheia de carros. Quando senti um tranco. "Ah... esse barbeiro bateu no meu carro". Ele estava no carro da frente, então foi dar ré porque o carro da frente tinha quebrado e enfiou a traseira dele no meu capô. "Tenho que descer do carro?". Claro que eu estava num salto quinze, saia rodada abaixo dos joelhos e uma blusa de manga ¾ por conta da meia estação. Ele pediu perdão, me passou seu telefone e disse que concertaria. O problema é que meu carro não queria mais ligar. Chamamos o seguro, que veio com o guincho e levou meu carro me deixando a mercê ali no meio da avenida que de repente não havia um táxi. "Quer carona?" Ele ofereceu, depois de esperar comigo por mais de quarenta minutos o guincho. "Carona no carro de um estranho?" Eu disse e ele riu debatendo "você sabe meu nome, telefone, a placa do meu carro... não somos desconhecidos vai". Sem opções aceitei.
Ele elogiou minha roupa, perguntou do que eu trabalhava e se surpreendeu em saber que era produtora de um programa de televisão bem popular. Me pediu dicas de edição porque acabei dizendo que tinha cursos em edições de vídeos e editoração de texto, disse que estava começando um canal no YouTube para mostrar seu talento musical. Eu achei incrível, então ele deu em minhas mãos seu celular e me mostrou seus vídeos tocando algumas das minhas músicas favoritas. Acaso.
Estava tarde, e estávamos com fome. Ele se ofereceu para me pagar um jantar. Serviu vinho. E me contou sobre a sua vida. Ele era produtor musical mas estava investindo na própria carreira agora.
Trocamos telefones, ele me deixou em casa e nunca mais esqueceu meu endereço.
Saímos mais algumas vezes, antes dele me pedir em namoro. Tudo isso que tinha começado tão mal, agora já tinha virado um pedido de casamento. Três anos após a batida, lá estava ele ajoelhado na minha festa de aniversário de 29 anos, realizando meu sonho de ficar noiva antes dos 30. "Eu sempre soube que você era a mulher da minha vida. E eu bati no seu carro de propósito aquele dia". Já não sei o que é sorte, acaso ou destino. Só sei que ele foi feito na minha medida.
Acontece que tudo isso foi o que pensei, antes mesmo de descer do carro para pegar os dados do tal barbeiro. Quando vi, era meu ex namorado  acompanhado de sua atual "garota". Preferi voltar para o meu carro, que não queria ligar mas fui insistente até que ele pegou e saí cantando pneu a procura de outro barbeiro que ainda não tivesse passado pela minha vida. Alguém que pudesse fazer de meus devaneios realidades.

Sempre qualquer coisa com você

É você, só você
Que faz minhas idéias loucas
Parecerem menos ridículas,
Que Olha ao redor
A procura dos meus perseguidores,
Só para me proteger.
Mas pare com tudo isso,
Sempre foi você,
Sempre será você,
Inspiração do meu saber
Inspiração do meu querer.

Precisamos sorrir,
E nos encontrar
Você precisa me tocar
E eu preciso te sentir
Se você gosta de garotas más,
Eu realmente posso ser
Qualquer coisa,
Qualquer coisa para você.

Sempre vai ser você
O rumo de todas as minhas estradas
O topo de todas as minhas escadas
O motivo de todas as minhas estadas
É sempre você. Só você.
Eu posso ser o que quiser ao seu lado,
Porque podemos ser qualquer coisa
Qualquer coisa quando estamos juntos.
Me dê a mão,
A sua loucura parece com a minha
E de todos os loucos do mundo
eu quis você.
Não se limite,
E venha errar esse passo
de dança comigo.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Fotografias em lembranças

Abra seu coração,
Feche as cortinas
E me chame para dançar.
Bailando até chegarmos
Ao centro do salão,
Engrandecendo almas
E compartilhando sonhos.

Existindo, não para ter
Mas para ser,
Um do outro.
Dividindo espaços,
Emprestando pertences
E lá vamos nós
Para mais uma noite.

Toque meus ombros nus,
Retire a mecha de cabelo
Que acabara de cair
nos meus olhos,
É quando finalmente
Conseguir encara-los
Não diga nada,
Até que eu possa registrar
Em minha memória fotográfica
Essa cena.

Se algum dia,
Você vier a me deixar
Ou partir
Ou quebrar meu coração,
Eu vou buscar essa cena
Lá no Fundinho das lembranças,
E perceber que você
Já foi tudo,
Tudo, oque eu sempre quis.