sábado, 20 de fevereiro de 2016

Rotina antes de esquecer

Ela se levanta todos os dias as 06:00. Antes  mesmo de se espreguiçar, checa o celular e vê uma notificação, abre, na esperança de ser dele. Mas nunca é. Nada nunca mais vai ser como era. Como se depois de uma grande descoberta da física, fosse possível acreditar em velhas e desatualizadas teorias. Não, não é.
Então, já desanimada, calça os chinelos, vai até o banheiro. Encara o reflexo do espelho enquanto escova os dentes. Volta para o quarto, veste o uniforme, que ainda não está gasto, porque foram apenas duas semanas de aula. Coloca o casaco enquanto passa a máscara de cílios, olha pro espelho e percebe o quanto ele ainda faz falta.
Sai de casa, com meia caneca de leite desnatado no estômago. O vento bate nos cabelos, está abafado. Seus cabelos estão bem mais longos, sua vida bem mais pé no chão, e com sonhos mais concretos. Entra no carro, olha pela janela e pensa , oito meses depois, se essa fora a melhor escolha.
Tantas coisas mudaram nos últimos meses, ela se faz de durona, quando na verdade tudo oque mais queria era contar pra ele as últimas novidades. Garanto que a única coisa que temeria dizer seria sobre relembrá-lo toda segunda-feira, na aula de informática, que tem um nome bem complicado só pra dificultar ainda mais as coisas.
Observa, atenta, o chão enquanto caminha rumo à sala de aula. Quase chegou atrasada, olhou no pátio e não mais havia ninguém. Correu e chegou a tempo de subir com os retardatários. Entrou na sala, avistou a cadeira, sentou-se e encostou a cabeça na parede.
Uma, duas, três aulas. Intervalo. Quatro, cinco, seis. 12:15. Finalmente! Ela guarda todo o material, coloca a mochila nas costas e vai. Sem rumo, sem motivo. Atravessa algumas avenidas, anda algumas quadras. Chega ao ponto de ônibus. Pega o ônibus, espera que ele cruze duas ou três avenidas e ruas antes de passar pela catraca e se sentar em qualquer lugar vago perto da janela.
Seus fones estão quebrados, mesmo assim ela saca o celular, e começa mais um texto dizendo como só queria receber uma notícia dele a medida que queria que ele se fosse de sua memória para sempre.
Porque todas as noites quando ela se deita, sente presenças, enxerga sombras... E sempre considera a possibilidade de serem os pensamentos dele que assim como os dela, são controlados por outra pessoa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário