Amor é uma palavra que pode ter tantos significados. Quando nascemos temos o amor materno, em seguida o amor do resto da família. Se você for uma criança com o mínimo de simpatia, logo terá amigos e sentirá por eles amor. Até que você comece a se sentir atraído, e comece a gostar, depois se apaixonar até conhecer o amor dos contos de fadas.
Não um amor de amigos, é um amor de querer passar ao lado da pessoa o resto da sua vida. As vezes o amor decepciona, dói e machuca. E quando ele machuca, isso pode ser cruel.
É que ela era uma garota que não sabia muito nem pouco do mundo. Sabia o necessário. "Drogas são substâncias erradas e fazem mal", " Uma garota deve se valorizar" e coisas do tipo ensinamentos básicos. E embora as pessoas que tivessem lhe dito essas coisas tivessem feito muito pior, ela se mantinha. Mas um dia ela estava sonhando, acordada como sempre.
Tinha um segundo sol, e ele a sufocava e secava seu sangue. Desesperada, acendeu um cigarro e abriu uma garrafa de água gelada. Sentiu toda a nicotina invadir seus pulmões enquanto uma voz dizia "Você nunca vai ter ninguém", e isso só a fazia tragar cada vez mais forte.
Sentindo-se proibida, recusada, ela se sentia reprovada. Reprovada por estar em um nível tão baixo, recusada por mais uma vez " o cara" estar com outra pessoa que não era ela. Ela se sentia baixa, se sentia pequena e comum. Se sentia suja, sentia o fel em sua boca. Se sentia acabada.
A cada tragada, a fumaça ía e sua desilusão ía junto. A fumaça entrava e o desgosto também. Com a sua fraqueza, outras coisas vinham. E logo palavras a faziam delirar. Como se isso fosse algum tipo de prazer irrecusável.
Ela apagou o cigarro na água, e o jogou pela janela para não deixar resquícios. Então caiu em si, e viu o que tinha feito. Piscou algumas vezes seguidas, pegou seu celular, pediu desculpas e disse que aquilo não era certo. Porque ela não tinha um maço inteiro para falar asneiras junto da nicotina. Ela nem tinha mais o que fazer para acompanhar seus delírios.
O amor as vezes machuca, e as vezes te leva a fazer coisas malucas. Ainda mais quando não é amor, nos enganamos facilmente. É que faz parte do nosso corpo essa coisa de se iludir com facilidade quando estamos sensíveis demais ao mundo.
quinta-feira, 21 de abril de 2016
Amor aos tragos
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